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Agricultura Industrial e Desmatamento

  • Maria Clara Marçal
  • 19 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

A agricultura industrial é o principal motor do desmatamento no Brasil e no mundo!


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A agricultura industrial é um dos principais motores do desmatamento e da degradação ambiental, tanto em escala global quanto no Brasil. De acordo com o livro O decênio decisivo, essa forma de produção é parte de um sistema alimentar globalizado que atua como uma “máquina de destruição ambiental”. É um sistema que não visa a alimentação saudável das populações, mas sim a produção de commodities orientadas para o mercado, com impactos devastadores sobre ecossistemas naturais (MARQUES, L)7.


No Brasil, a agropecuária responde por cerca de 96% do desmatamento registrado em 2022, segundo o Relatório Anual de Desmatamento do MapBiomas. Isso equivale a quase 2 milhões de hectares de vegetação nativa suprimida, com a pecuária e a agricultura sendo as principais atividades responsáveis[1][2]. A expansão das áreas para pastagens e plantações, especialmente de commodities como soja, está fortemente ligada à derrubada de florestas, principalmente na Amazônia, Cerrado e Caatinga[2][3]. E entre 2001 e 2015, a pecuária bovina sozinha foi responsável por substituir 45,1 milhões de hectares de florestas tropicais, superando todas as outras commodities agrícolas combinadas nesse período (MARQUES, L)7.

Um aspecto importante é que grande parte desse desmatamento ocorre por meio de um processo em duas etapas: primeiro, as florestas são derrubadas para criação de pastagens; depois, esses pastos são convertidos em áreas agrícolas, especialmente para o plantio de soja. Cerca de 80% das novas terras cultiváveis no Brasil resultam da conversão de pastos, e apenas 20% vêm da conversão direta de vegetação nativa para plantações[3].


Além disso, o desmatamento no Brasil é frequentemente impulsionado pela especulação fundiária, onde áreas são desmatadas para valorização e venda rápida, muitas vezes sem controle legal efetivo[3][4]. Mesmo quando o setor do agronegócio alega esforços para coibir o desmatamento ilegal, sua cadeia produtiva continua permeada por ilegalidades, como a compra de gado proveniente de áreas desmatadas ilegalmente[2].


Além do Brasil, no cenário global, a agricultura é responsável por cerca de 80% do desmatamento, 23% das emissões de gases de efeito estufa e 70% da água doce do planeta[5][6]. Esse sistema alimentar intensifica o uso de agrotóxicos, fertilizantes sintéticos e antibióticos, contribuindo para a intoxicação de ecossistemas, a poluição de águas, a perda de biodiversidade e o colapso dos polinizadores, como abelhas e outros insetos essenciais (MARQUES, L).7


A agricultura industrial utiliza intensivamente fertilizantes, pesticidas e produtos químicos que prejudicam os ecossistemas aquáticos e aumentam as emissões de gases que contribuem para as mudanças climáticas. A má gestão dos recursos hídricos também agrava a situação, criando zonas mortas em rios e comprometendo a disponibilidade de água doce[5].


Estudos recentes indicam que entre 90% e 99% do desmatamento nos trópicos está diretamente ou indiretamente ligado à agropecuária, evidenciando a necessidade de mudanças radicais nas políticas e práticas agrícolas para conter a destruição ambiental[6]. Isso inclui romper com o modelo capitalista de produção alimentar, que coloca o lucro acima da vida, e substituí-lo por práticas agrícolas sustentáveis que respeitem os limites ecológicos do planeta (MARQUES, L).7


A agricultura industrial, especialmente a agropecuária para produção de commodities como soja e gado, é o principal fator do desmatamento no Brasil e no mundo. Essa relação está marcada pela expansão de áreas agrícolas em detrimento das florestas, pela especulação fundiária e pelo uso intensivo de recursos naturais e químicos que agravam os impactos ambientais. Para reverter esse quadro, são necessárias medidas integradas que promovam a sustentabilidade, o controle efetivo do desmatamento e a adoção de práticas agrícolas menos agressivas ao meio ambiente.


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