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Negacionismo e Inércia Política

  • Júlia Suassuna
  • 19 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

O século XX prometeu progresso. O século XXI está entregando retrocesso.


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Durante o século XX, houve um desenvolvimento visível na sociedade, indicadores como expectativa de vida, acesso à educação, saneamento básico, mortalidade infantil e renda per capita comprovaram esse progresso prometido desde do século XVII, com o Iluminismo 

No entanto, Marques aponta que na atualidade vivemos os opostos, com indicadores estagnados ou até mesmo em retrocesso. Essas regressões nos mostram que a lógica capitalista está colapsando, ao mesmo tempo em que acaba as ferramentas básicas que garantem uma certa estabilidade para o povo. Por exemplo, nos Estados Unidos, grande defensor da logica neoliberal, houve uma queda na expectativa de vida, enquanto países de riqueza compatível e tão não adeptos dessa lógica aumentaram sua expectativa de vida. Em todo o mundo, a desigualdade econômica aumentou drasticamente, os 10% mais ricos da população global atualmente respondem por 52% da renda global, enquanto a metade mais pobre da população ganha 8% dela, dessa forma fica claro que o crescimento econômico já não resulta em bem-estar para a maioria. Pelo contrário: muitas vezes aprofunda desigualdades e destrói os fundamentos ecológicos da vida.


Além disso, fica inegável que o colapso ecológico já é uma realidade. As crises climática, hídrica, da biodiversidade, da poluição química e da degradação dos solos estão se agravando rapidamente. Em vez de uma mobilização para mitigar essa tragédia, o que se observa é a intensificação do modelo extrativista e predatório de exploração dos recursos naturais, impulsionado principalmente pelo sistema alimentar globalizado e pelo complexo industrial de energia fóssil. A crença na tecnologia como solução universal — sem transformações profundas no modo de produção e consumo — é, para Marques, um dos maiores equívocos contemporâneos.


O autor também traz a descrença da população para com o futuro, de modo a gerar uma inércia por parte da população. Há uma sensação generalizada, principalmente entre a juventude, de que a qualidade de vida estava piorando e essa percepção não é meramente subjetiva; ela é corroborada por uma série de indicadores objetivos que mostram a degradação ambiental, a precarização do trabalho, o aumento das doenças relacionadas ao estresse, à alimentação de má qualidade e à poluição.Além disso, Marques traz o avanço de regimes autoritários e ideologias ultraconservadoras em diversos países. A ascensão desses líderes autoritários não apenas negam as evidências científicas, como também rebaixam deliberadamente a capacidade cognitiva da população, alimentando alucinações coletivas — como o movimento antivacina, o anticomunismo paranoico e o armamentismo — que tornam impossível qualquer resposta racional e coletiva à crise ambiental, sendo um caso exemplar a conduta de Bolsonaro na pandemia tudo para extinguir  intervenção e controle dos governos, a vida e a saúde passaram a transformar-se em assuntos que são de nossa responsabilidade individual.


O livro também usa a expressão “planeta entulhado” para enfatizar o excesso de produção, consumo e descarte de bens materiais — a maioria com vida útil curtíssima —, gerando uma montanha de resíduos que supera a capacidade dos ecossistemas. A intoxicação generalizada do ar, da água, do solo e dos próprios organismos humanos e animais pelas substâncias químicas industriais impostos a populações inteiras que vivem em áreas poluídas e sem acesso à saúde, por exemplo o Cancer Alley, como ficou conhecido o corredor petroquímico do Texas e da Louisiana.


REFERÊNCIAS

1. Cf. Ryan K. Masters, Laudan Y. Aron & Steven H. Woolf ,“Changes in Life Expectancy between 2019 and 2021: United States and 19 Peer Countries”, medRxiv, 7 abr. 2022

5. Al Shaw & Lylla Younes, “The Most Detailed Map of Cancer-Causing Industrial Air Pollution in the U.S.”, ProPublica, 2 nov. 2021

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