Crise Climática e Desigualdade
- Igor Santos
- 19 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
A crise climática agrava desigualdades já existentes

A crise climática por si só já é algo extremamente preocupante, torna-se ainda mais alarmante a partir do momento que exacerba as desigualdades. Desigualdades sociais, de gênero, de raça são atenuadas pela crise ambiental, que também evidencia as desigualdades entre as próprias nações. A involução do índice de Gini nos mostra como a desigualdade apenas vem aumentando, pois, considerando o período de 1988 a 2005, para o índice de Gini absoluto, houve um aumento de 57 para 72. A crise climática está intimamente relacionada à desigualdade, as principais consequências recaem justamente sobre a população mais vulnerável, tanto dentro do próprio país, a exemplo os efeitos do furacão Katrina potencializados em bairros pobres, como entre uma nação e outra, a exemplo o Kiribati, que mesmo com pegadas de carbono mínimas, enfrenta ameaça existencial devido ao aumento do nível do mar.
A desproporção entre os principais contribuintes para o agravamento da crise climática e os principais afetados é bem nítida. De acordo com relatório da Oxfam, o 1% mais rico em 2019 teve emissão de carbono equivalente a dos 66% dos mais pobres, cerca de 5 bilhões de pessoas. Quanto às consequências, considerando o período entre 2020 e 2100, tais emissões são suficientes para causar 1,3 milhão de mortes excessivas devido ao calor. Como bem apontado no livro de Luiz Marques, a emergência climática agrava a desigualdade, tornando a diferença entre a renda dos 10% mais ricos cerca de 25% maior que a renda dos 25% mais pobres em um mundo na qual não houvesse aquecimento global.
De forma totalmente oposta, aqueles que menos contribuem para o agravamento da crise ambiental são os que mais sofrem suas consequências. Isso ocorre por inúmeros motivos, como morar em áreas mais propensas a sofrerem com desastres ambientais, bem como pela maior dificuldade em reconstruir sua casa e até mesmo sua vida após tais desastres. Quanto maior for a desigualdade no país, maior as consequências, como mostrou estudo que aponta que nos países desiguais atingidos por enchentes, o número de mortes é sete vezes maior. A desigualdade também é muito bem observada no dia a dia. Com temperaturas cada vez mais altas, as condições daqueles que conseguem ter acesso a ar condicionado, por exemplo, é bem superior às condições de quem mal consegue se alimentar, avalie ter o “luxo” de possuir ar condicionado. Ainda entra a questão da alimentação, cujo preço tende a aumentar devido aos desastres ambientais cada vez mais frequentes. Logo, aqueles com renda mais baixa terão que pagar cada vez mais proporcionalmente ao que ganham, até o momento de não conseguir pagar nem mesmo sua refeição.
REFERÊNCIAS
1 MARQUES, L. O decênio decisivo. [s.l.] Editora Elefante, 2023.




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